Negócios Sociais – Uma Nova Economia
Por Anamaria SchindlerValor Econômico
A idéia de que um projeto social pode se tornar um (bom) negócio sustentável é nova, polêmica e ainda pouco debatida. Os negócios sociais nascem com uma missão social clara, aliada à produção de valor econômico.
É a lógica inversa de uma tendência trazida pelo movimento mundial de responsabilidade social corporativa, em que as empresas buscam produzir e ser competitivas no mercado incorporando valores e práticas sociais às suas já tradicionais práticas corporativas.
Ao invés de desenvolver um bom produto, tornar-se competitivo com ele e, então aliar valores sociais, o negócio social promete já apresentar ao consumidor um produto que, desde sua concepção, incorpora a dimensão social e promete desenvolvimento econômico.
É claro que muitos devem pensar que isto não é possível. Além disto, há os que pensam que não pode ser competitivo. Isto é o que teremos de testar e comprovar.
Na prática, isto já acontece aqui mesmo no Brasil e em outras partes do mundo. Um exemplo nacional que está dando certo é a Associação de Pequenos Agricultores do Município de Valente (Apaeb), que montou uma unidade de beneficiamento de sisal, que depois se tornou uma fábrica que hoje emprega mais de 800 pessoas.
A Apaeb produz e comercializa tapetes, carpetes e outros produtos de sisal. A cada ano, exporta cerca de US$ 3 milhões. Alguém poderia pensar isto de uma pequena Associação, uma ONG do interior da Bahia, quando ela foi fundada no início dos anos 80?
Não é um caminho fácil. Uma das principais necessidades dos negócios sociais é uma excelente performance no planejamento, na produção, comercialização e desenvolvimento geral do negócio. E isto pode ser conseguido e aprendido.
Uma oportunidade de um bom planejamento de um negócio social pode começar através do Prêmio Empreendedor Social Ashoka - McKinsey, um concurso de planos de negócios para organizações da sociedade civil (sem fins lucrativos) que desenvolvem negócios sociais.
Tais organizações, assim como a Apaeb, possuem o negócio como cerne de sua atividade. Têm como objetivo o desenvolvimento econômico das comunidades com que trabalham. Isso significa que tais organizações geram recursos para cobrir seus custos operacionais, renda para seus beneficiários, sua inclusão na cadeia produtiva e melhorias para toda a comunidade. São organizações que estimulam a produção local, o consumo consciente, a preservação ambiental, a geração compartilhada de riquezas, o respeito à diversidade, a igualdade de oportunidades e a inclusão social.
O problema da sustentabilidade das organizações sem fins lucrativos é antigo. Durante muitas décadas as ONGs passaram por todo tipo de dificuldade na cadeia de dependência de captação de recursos e de fontes externas à que estavam submetidas.
Muitas ainda vivem esse drama cotidianamente, mas outras começam a trilhar um caminho próprio de geração de receitas. As mais inovadoras estão nascendo para serem sustentáveis – ou seja, já nascem com um negócio social.
Enquanto muitas iniciam tais negócios com o propósito de gerar renda, algumas já possuem outros objetivos também. Um dos mais importantes é poder abrir oportunidades de trabalho para as pessoas das comunidades que atendem.
Como já disse Muhammad Yunus, criador do Grameen Bank: “Se você precisa de um emprego, crie um emprego”.
Aprender a planejar e a executar um negócio já é um desafio. Mas, um obstáculo ainda maior será o de fortalecer os valores sociais do negócio, comunicá-los e fazer com que o consumidor, lá na ponta, tenha consciência deles.
Sustentar a missão social de um negócio será o principal desafio. Se vencido, poderá indicar caminhos para uma economia socialmente responsável


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